Velho Oeste
O Velho Oeste não é exatamente um lugar, mas uma época e um movimento, um período de expansão para o oeste das fronteiras dos Estados Unidos ao longo do século XIX, marcado por migrações, conflitos armados, construção de ferrovias e disputas entre o governo norte-americano, colonos e povos indígenas. Longe de ser apenas um cenário de duelos e cowboys, o Oeste foi um espaço de profundas transformações econômicas, sociais e políticas que ajudaram a moldar o território e a identidade dos Estados Unidos.
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Resumo sobre o Velho Oeste
- O Velho Oeste foi um período da história dos Estados Unidos, especialmente na segunda metade do século XIX, marcado pela expansão territorial em direção ao Pacífico, conflitos com povos indígenas e disputas com o México.
- Mais do que um cenário de duelos e cowboys, tratou-se de um processo violento de formação territorial e construção da identidade nacional norte-americana, envolto posteriormente em forte romantização cultural.
- A expansão para o Oeste teve marcos decisivos como a Compra da Louisiana (1803), a Guerra Mexicano-Americana (1846-1848), o Homestead Act (1862) e a construção da ferrovia transcontinental concluída em 1869.
- Esses eventos ampliaram enormemente o território dos EUA e estimularam migrações internas e externas, consolidando o avanço sobre áreas antes controladas por povos indígenas e pelo México.
- O processo de ocupação do Oeste foi marcado por conflitos armados, deslocamentos forçados e massacres indígenas, como a Trilha das Lágrimas. Ao mesmo tempo, surgiram pequenas cidades de fronteira com frágil presença estatal, cultura de autodefesa e recompensas por criminosos.
- Paralelamente, o modelo de pequenas propriedades agrícolas ajudou a formar uma classe média rural que influenciaria o desenvolvimento econômico do país.
- Ele não era uma região fixa, mas um espaço em constante deslocamento conforme a fronteira avançava. Inicialmente situado além dos Montes Apalaches, depois no Vale do Mississippi e, mais tarde, nos territórios anexados após 1848, o Oeste variava conforme a década.
- Na cultura popular, porém, ele costuma ser associado sobretudo aos territórios conquistados do México.
- A imagem clássica do Velho Oeste foi consolidada por romances do início do século XX e pelos filmes western produzidos a partir da década de 1930. Obras literárias como The Virginian (1902) e filmes como Stagecoach (1939) moldaram o arquétipo do cowboy solitário e heroico, simplificando um processo histórico muito mais complexo, diverso e violento do que o representado no cinema.
O que foi o Velho Oeste?
O chamado Velho Oeste (Far West), na história dos Estados Unidos, foi mais do que somente um lugar, uma região geográfica, foi um período da história daquele país, marcado pela expansão territorial acelerada e violenta das fronteiras em direção ao Oeste, ao Pacífico, na segunda metade do séc. XIX, marcado pelos confrontos violentos com os povos originários e por uma certa ausência de uma autoridade governamental sólida, criando a ideia de uma “fronteira sem lei”, onde prevaleciam a autodefesa, os conflitos e a busca de oportunidades econômicas. Esse período se dá principalmente entre o fim da Guerra Civil Americana, em 1865, e a virada do século XIX para o XX, nos territórios onde hoje são o Texas, Nevada, Califórnia, entre outros naquele entorno.
O Velho Oeste é muito caracterizado na cultura popular, como em filmes, livros, séries, pinturas e outras linguagens artísticas. Isso porque constitui um dos momentos históricos fundamentais para a consolidação da identidade nacional dos cidadãos daquele país. No entanto, como em quase todo evento histórico importante para a formação de identidades nacionais no séc. XIX, muitos elementos factuais desse processo foram omitidos na cultura popular e muito de idealização foi embutido no imaginário daquele povo. É por isso que temos que nos despir de preconceitos vendidos pelo cinema americano e afins para entendermos o que de fato foi esse momento tão importante na história daquela nação.
O Velho Oeste não foi simplesmente uma terra de pioneiros heroicos, como sugerem muitos filmes, ele foi um espaço de disputas econômicas, militares e políticas, envolvendo o governo federal, colonos europeus, diversos povos indígenas e vizinhos mexicanos, que resultou na incorporação para aquele país de imensos territórios. Além disso, essa expansão violenta envolveu o massacre e a expulsão de diversos povos nativos, que ali habitavam há milênios, bem como de colonos mexicanos, que habitavam largamente aquelas regiões desde séculos antes dos estadunidenses.
O Oeste não era um “vazio” a ser ocupado, como muitos colonos e autoridades governamentais estadunidenses desse período gostavam de pensar e propagar. Era uma região bastante povoada por povos, como os comanches, que dominavam as planícies do centro-sul da América do Norte com sistemas políticos e econômicos próprios de grande complexidade.
Dessa forma, o Velho Oeste foi menos uma era de cowboys e duelos e mais um período de formação territorial dos Estados Unidos, bem como de sua identidade nacional e de muitos conflitos violentos para com os povos nativos.
História do Velho Oeste
A história do Velho Oeste está centrada na expansão territorial dos EUA ao longo do século XIX, especialmente em sua segunda metade. Após a independência do país, em 1776, o novo país se voltou para as terras a oeste das originais Trezes Colônias inglesas, agora treze estados federados originais, que se limitavam territorialmente aos Montes Apalaches.
Um marco nesse processo se deu em 1803, com a compra da Louisiana à França, que duplicou o território do país, agregando todo o imenso e fértil vale do Rio Mississipi. A partir daí, foram realizadas expedições, como a de Meriwether Lewis e William Clark (entre 1804 e 1806), para explorar as regiões até o Pacífico, já iniciando um processo de continuação desse processo de expansão pelo governo estadunidense.
A expansão para o Oeste ganhou força com a doutrina do “Destino Manifesto”, difundida a partir de 1840, que defendia que os Estados Unidos tinham a missão de ocupar todo o continente até o Pacífico, com uma justificativa que combinava missão civilizatória com expansão da fé cristã.
Outro marco da expansão foi a Guerra Mexicano-Americana, entre 1846 e 1848. Vencida pelos Estados Unidos, o México perdeu cerca de 55% de seu território (aproximadamente 1,36 milhão de km2) para os Estados Unidos após esse conflito, o que foi formalizado pelo Tratado de Guadalupe Hidalgo. Essa vasta área abrangia os atuais estados da Califórnia, Nevada, Utah, Novo México, Arizona, Colorado, Wyoming, Oklahoma e Kansas. É por isso que há nesses estados tantas cidades com nomes de santos católicos em espanhol, mesmo sendo os estadunidenses predominantemente protestantes e falantes do inglês, como é o caso de San Francisco, San Diego e Santa Barbara (na Califórnia) e San Antonio (no Texas), além de Los Angeles (“os anjos”, em espanhol), Monterey, Santa Fe e tantas outras.
É interessante hoje observar, sob o prisma da história recente (cerca de 150 anos), como essas cidades e esses estados são alvo de xenofobia de estadunidenses contra imigrantes mexicanos, em que se insiste que estes “voltem para a sua terra”.
É nesse contexto de expansão territorial rápida e violenta que o Estado norte-americano se organiza para enviar desbravadores, colonizadores europeus, construir vilas e cidades, reforçar a presença militar no território (as famosas cavalarias) e, nesse contexto, os conflitos entre colonos e indígenas se torna uma tônica. Contexto esse em que o Estado ainda era incipiente e em que predominava a autodefesa, sendo comum indivíduos armados, cultura que deixa lastro até hoje entre os cidadãos de alguns desses Estados.
A própria carência de aparato policial consistente nessas regiões dava espaço para políticas que ficaram marcadas no imaginário do Velho Oeste, como a das recompensas pela captura (muitas vezes “vivo ou morto”) dos chamados “fora-da-lei”. Sendo um território de fronteira também marcado por muitas oportunidades econômicas, havia indivíduos que até mesmo se especializavam em “caçar” esses “fora-da-lei”, os célebres “caçadores de recompensas”. No geral, tudo isso indica um estado de insegurança e instabilidade constante, o que foi se diluindo aos poucos, até a virada do século XX, por meio do desenvolvimento e do aprimoramento das instituições jurídicas, políticas e policiais nessas regiões.
Nas décadas entre 1860 e 1890, o Oeste foi profundamente transformado pela construção das enormes ferrovias transcontinentais, tendo sido a primeira concluída em 1869, ligando Omaha (no estado do Nebraska, no Meio-Oeste) e Sacramento (na Califórnia, na costa do Pacífico).
Outro marco importante nesse processo de expansão para o Oeste foi a promulgação do Homestead Act, em 1862, lei fundiária estadunidense que previa a distribuição de terras aos colonos, o que fez do Oeste uma espécie de “terra prometida” para indivíduos pobres do leste do país, bem como para milhões de imigrantes europeus que chegaram aos montes no país nas décadas seguintes.
A presença do colono branco pobre, muitas vezes europeu, com sua família e sua pequena propriedade é uma imagem clássica da colonização do Oeste e ajudou a formar uma estrutura social de classe média, de pequenos proprietários, que seria fundamental para o desenvolvimento do capitalismo de massas naquele país no século XX. Em vez de ter que discutir uma espécie de reforma agrária, os EUA montaram desde o início uma estrutura fundiária no Vale do Mississipi, uma das regiões mais férteis do mundo, baseada fortemente no pequeno agricultor familiar.
É bem certo que a estrutura fundiária se concentrou em grande parte, no século seguinte, nos famosos belts agrícolas, mas o papel de construir uma classe média robusta, bem como uma mentalidade de valorização da propriedade privada e da “família” (típicos da cultura norte-americana, especialmente do Meio-Oeste e do Oeste) já tinha se realizado nesse contexto histórico, por conta do modelo de expansão e colonização.
Todo esse processo, hoje tão romantizado e idealizado por essas famílias que descendem desses colonos do Homestead Act mencionadas acima, foi, no entanto, devastador para os povos indígenas americanos, resultando no genocídio e extermínio de milhões de nativos. O governo americano forçou a remoção de nações inteiras de suas terras ancestrais. Episódios como a "Trilha das Lágrimas" (Trail of Tears) ilustram a brutalidade desse tratamento, em que ocorreu a remoção forçada de diversas nações indígenas para territórios a oeste do rio Mississippi, sob a égide do Indian Removal Act (Lei de Remoção Indígena).
Impulsionada pela pressão de colonos brancos, essa política desalojou povos como os Cherokee, Choctaw e Seminole de suas terras ancestrais, obrigando-os a marchar centenas de quilômetros em condições desumanas. O episódio consolidou-se como um dos capítulos mais sombrios da história americana, simbolizando o trauma do exílio e o impacto devastador da expansão territorial sobre as soberanias nativas.
Outro exemplo foi a política oficial de "Mate o índio, salve o homem", que buscou apagar a cultura indígena através da assimilação forçada em reservas indígenas. A resistência indígena, embora heroica, foi superada pela superioridade militar dos colonos e do exército, resultando em massacres, perda territorial contínua e um profundo trauma demográfico e cultural que reconfigurou a demografia do país e sua identidade étnica. Nos filmes tradicionais de Velho Oeste, é possível perceber tanto essa violência contra os povos indígenas quanto sua legitimação cultural, sendo que eles são costumeiramente apresentados como os “vilões” a serem exterminados pelos heroicos “cowboys” brancos.
Onde ficava o Velho Oeste?
O Velho Oeste não era uma região fixa e delimitada, era um espaço móvel, que ia mudando ao longo do século XIX à medida em que os Estados Unidos expandiam suas fronteiras. De uma década para a outra, com a consolidação de novos territórios, aquilo que era considerado antes o “Oeste” deixava de sê-lo.
No final do século XVIII, o “primeiro Oeste”, por assim dizer, foi o território a oeste dos Montes Apalaches, que representaram a primeira expansão territorial das originais Treze Colônias que deram origem aos EUA. Já no início do século XIX, o Oeste se torna o vale do imenso rio Mississipi, o território da Louisiana, comprado dos franceses em 1803.
Em meados do século XIX, a nova região de fronteira foi o Texas, então parte do México, que recebeu grande fluxo de colonos estadunidenses, que logo entraram em conflito com o governo mexicano. Desse conflito, temos um novo marco da expansão da fronteira e um “novo Oeste” se abrindo, que foi a Guerra Mexicano-Americana, de 1846-1848, vencida pelos EUA. O México perdeu mais de metade de seu território e os EUA anexaram os territórios que hoje são os Estados do Novo México, Arizona, Califórnia, Nevada e Utah, além do Texas.
Em linhas gerais, o que chamamos de Velho Oeste varia a depender da década do século XIX a que nos referimos, começando a oeste dos Apalaches, avançando pelas planícies centrais do Vale do Mississipi e alcançando, na segunda metade do século, os territórios tomados do México e a costa do Pacífico. No entanto, na cultura popular, como nos filmes, o contexto apresentado costuma ser geralmente aquele dos territórios tomados dos mexicanos após a Guerra Mexicano-Americana.
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Quais estados faziam parte do Velho Oeste?
Como descrito acima, se fôssemos tomar como base a visão histórica mais consolidada academicamente do chamado Velho Oeste, colocaríamos nessa lista a maioria dos estados norte-americanos. No entanto, quando tratamos dessa expressão no sentido popular, como ele é representado geralmente nos filmes, podemos destacar os territórios incorporados pelos Estados Unidos após a guerra contra o México (1846-1848). Entre esses estados, que são mais diretamente ligados ao imaginário do Velho Oeste, temos:
- Texas (anexado em 1845);
- Califórnia (tornado estado federado em 1850, após a corrida do ouro de 1848); Nevada;
- Colorado;
- Wyoming;
- Montana;
- Arizona; e
- Novo México.
O Velho Oeste existiu de verdade?
Sim, o Velho Oeste existiu de verdade, mas não exatamente como costuma aparecer nos filmes e na cultura popular. Há muito de romantização e idealização do que ocorreu na expansão dessa fronteira oeste dos EUA por conta da importância que ela teve na formação da identidade nacional estadunidense. A heroificação da figura do cowboy, bem como a “demonização” do indígena e do mexicano, muito apresentados como vilões maldosos e dissimulados, é algo que cai por terra diante das fontes históricas, que mostram como esses grupos foram vítimas de um processo violento de invasão e conquista do território que antes lhe pertenciam.
No entanto, a referência a uma certa ausência de aparato estatal consolidado, com colonos geralmente armados e muita instabilidade e insegurança, é sim vinculada a um processo histórico real de território de fronteira. O cowboy a cavalo, com seu chapéu e armado, realizando a autodefesa, foi, portanto, uma realidade nessas regiões de fronteira. No entanto, as fontes históricas apontam que eles eram menos comuns do que se dá a entender nos filmes. Isso porque, sendo cavalos e armas gêneros caros naquele contexto, esses indivíduos eram mais bem posicionados social e economicamente do que os filmes costumam dar a entender, colocando-os como pobres e maltrapilhos, o que não era o caso de alguém com posses tão valorizadas.
A ilustração das pequenas cidades da fronteira, com poucas construções em torno de uma rua principal, seu saloon (bar), o xerife, o hotel, um estábulo e afins é também uma descrição muito adequada à grande parte das pequenas cidades surgidas na expansão territorial, especialmente após a guerra contra o México. No entanto, essa imagem se limita às pequenas cidades recém-fundadas do interior dos estados, pois já havia, naquele contexto, grandes e modernas cidades no Oeste, como São Francisco, na Califórnia, nas últimas décadas do séc. XIX, em que a presença estatal era marcante e os costumes sociais pouco lembravam o que hoje se entende por Velho Oeste.
Filmes de Velho Oeste
O cinema norte-americano teve papel decisivo na construção da imagem popular do Velho Oeste. No entanto, eles são antecedidos, na cultura popular, pelos romances que popularizaram um certo viés com relação ao Velho Oeste e que fizeram muito sucesso editorial na primeira metade do século XX como The Virginian: A Horseman of the Plains, de Owen Wister (1902), considerado o romance que definiu o gênero western moderno e estabeleceu o cowboy como um herói folk nos EUA.
A obra transforma o caubói em um arquétipo de virtude moral, coragem e cavalheirismo em um cenário de "civilização contra barbárie". Outro exemplo é Riders of the Purple Sage, de Zane Grey (1912), que popularizou a paisagem selvagem e dramática do oeste como cenário para histórias de romance, resgate de heroínas e tiroteios, consolidando a estética romântica do "selvagem oeste". Outro exemplo de destaque é Destry Rides Again, de Max Brand (1930), que moldou a imagem do pistoleiro rápido e justo e é um exemplo clássico da narrativa de redenção e ação romântica. Partimos desses romances literários porque é impossível entender os enredos dos filmes de Velho Oeste sem entender que eles se baseiam em uma construção anterior que parte da literatura.
Foi a partir da década de 1930 que a indústria cinematográfica de Hollywood passou a produzir os chamados “westerns”, que no Brasil eram chamados de “faroeste” (corruptela de far west) ou mesmo de “filmes de bang bang”, referência à onomatopeia usada nos EUA para tiros de revólver (“bang bang”). Esses westerns consolidaram nas telas aquela imagem vinda da literatura western de um protagonista que é um cowboy solitário, branco e misterioso, rústico e antipático, em uma pequena cidade sem lei, e que acaba se posicionando do “lado bom” da narrativa, enfrentando em duelos vilões inescrupulosos.
Fazer uma lista de bons filmes de Velho Oeste seria tema para outro artigo, mas ficam aqui os melhores filmes que este autor já assistiu, para quem interessar:
- Rastros de Ódio (1956);
- Três Homens em Conflito (1966);
- Era uma Vez no Oeste (1968;
- Sete Homens e um Destino (1960);
- Os Imperdoáveis (1992);
- Django Livre (2012).
Curiosidades sobre o Velho Oeste
- Nem todo mundo andava armado: embora os filmes mostrem cidades cheias de pistoleiros, muitas localidades do Oeste, como Dodge City e Tombstone, tinham leis que proibiam portar armas dentro da cidade. Visitantes eram obrigados a entregar seus revólveres ao chegar. A famosa ideia do “duelo ao meio-dia” foi muito mais rara do que o cinema sugere.
- Cerca de 25% dos cowboys eram negros: após a Guerra Civil (1861–1865), milhares de afro-americanos libertos trabalharam como vaqueiros no Texas, Kansas e outros territórios. A cultura cowboy era mais diversa do que a imagem clássica do homem branco solitário nos filmes de western costuma mostrar.
- O cavalo transformou o poder indígena: os povos indígenas das Grandes Planícies, no Vale do Mississipi, adotaram o cavalo, trazido pelos espanhóis no século XVI e desenvolveram sociedades altamente móveis e militarmente eficientes. Os comanches, por exemplo, tornaram-se mestres na criação e no comércio de cavalos, controlando vastas regiões entre os séculos XVIII e XIX.
- A ferrovia foi construída com trabalho imigrante: a primeira ferrovia transcontinental, concluída em 1869, só foi possível graças ao trabalho de milhares de imigrantes, especialmente chineses, na parte oeste da obra, e irlandeses, na parte leste. Muitos enfrentaram condições extremamente perigosas.
- A corrida do ouro mudou tudo em poucos meses: em 1848, a descoberta de ouro em Sutter’s Mill, na Califórnia, provocou uma migração em massa. Em 1849, cerca de 80 mil pessoas chegaram à região, foram os chamados “forty-niners” (“quarenta e nove” em inglês, referência à data de chegada dessa grande leva de imigrantes: 1849). Cidades ali surgiram quase que do nada e a Califórnia virou estado já em 1850.
- Algumas cidades duravam pouquíssimo: muitas boomtowns (cidades que cresciam rapidamente por causa da mineração) desapareciam poucos anos depois que as minas se esgotavam. Algumas viraram cidades fantasmas (ghost towns), várias das quais ainda existem como atrações turísticas.
- O Velho Oeste virou espetáculo ainda no século XIX: antes mesmo do cinema, o Wild West Show, de Buffalo Bill Cody, criado em 1883, já apresentava ao público encenações dramatizadas de batalhas, caçadas a bisões e ataques indígenas, ajudando a transformar o Oeste em mito enquanto ele ainda estava acontecendo.